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Instituto Laramara barateia tecnologias que facilitam a vida de deficientes visuais.

Passo adiante: a bengala desenvolvida pelo instituto dura um ano sem manutenção, o dobro dos modelos tradicionais

Enquanto projetos como o do computador de 100 dólares engatinham, o Instituto Laramara - Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual - dá passos largos para a inclusão digital de cegos e pessoas com baixa visão. Há seis anos criou o Departamento de Tecnologia Assistiva, que vem pesquisando, produzindo e introduzindo novos equipamentos no Brasil.

O departamento atua em três frentes. Uma é mais voltada a iniciativas para baratear tecnologias, outra busca desenvolver equipamentos e há, por fim, a representação de empresas estrangeiras. Exemplo do primeiro caso é o projeto de uma máquina de escrever em braile. Até o início da década, essas máquinas, fundamentais para a alfabetização de crianças cegas, eram produzidas apenas no exterior e custavam R$ 5 mil cada uma. A ONG procurou o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e criou um modelo. Hoje, uma fábrica funciona nas instalações do instituto e produz uma média de 60 máquinas por mês, a um custo médio de R$ 2 mil.

"Ainda é caro. Entramos em contato com empresas e órgãos públicos, buscando convencê-los a adquirir algumas máquinas e doá-las a necessitados", diz Cristiano Gomes, coordenador de desenvolvimento e produção. Iniciativa semelhante é a criação e a entrada na linha de montagem de uma bengala que dura 1 ano sem manutenção. Os modelos tradicionais têm metade dessa vida útil.

O instituto também é o representante no Brasil de fabricantes estrangeiros de equipamentos como lupas eletrônicas para pessoas com baixa visão e softwares de reconhecimento de tela. Um deles é o Jaws, que usa um sintetizador de voz para identificar as operações realizadas pelo computador e para ler os textos que estão no monitor.

A mais nova iniciativa na área de software passa pela telefonia. Em parceria com a operadora Vivo, o instituto lançou 600 aparelhos Nokia E65, equipados com um programa que permite identificar quem está ligando por meio de som. "Antes, o programa tinha que ser comprado à parte e saía por R$ 720. Agora vem com o telefone e sai de graça", diz Alberto Pereira, consultor em acessibilidade da ONG.

Talvez a inovação tecnológica mais impressionante seja a Linha Braile, que o Laramara representa no País. Trata-se de um periférico no qual pequenas hastes sobem e descem, reproduzindo, sob a forma das letras do alfabeto braile, o conteúdo do que estiver na tela de um PC. Isso permite ao cego usar o computador mesmo em locais onde a aplicação de softwares de leitura de tela não seja possível.

"Essa linha ajuda os jovens que querem aprender a usar o computador para se candidatarem ao mercado de trabalho", afirma Renato José, do Departamento de Tecnologia da ONG. "Com esse tipo de ferramenta, o funcionário cego pode ter um desempenho tão bom quanto o daquele que não é deficiente."

Fonte: Revista Galileu 30/05/2008

 

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