Pacientes com glaucoma estavam na expectativa de receber o primeiro lote de colírios, mas TRF cassou liminar
A aposentadoria do metalúrgico José Abdon da Silva, 74 anos, é de R$ 415,00. Portador de glaucoma, ele gasta R$ 180,00 mensais com a compra de colírios e comprimidos para controle da doença, que é incurável. A esperança de ter o direito aos medicamentos caiu por terra com a decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre de suspender a obrigatoriedade da administração pública de fornecer os remédios.
A liminar garantindo os medicamentos havia sido obtida pelo Ministério Público do Paraná e Ministério Público Federal na 2 Vara Federal de Londrina, mas a União recorreu da decisão. Ontem, os pacientes participaram de uma reunião com o promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais e da Saúde Pública, Paulo Tavares.
O objetivo foi estudar as medidas jurídicas cabíveis para reverter a decisão. De acordo com Tavares, os nomes dos pacientes serão encaminhados para o TRF, que suspendeu os efeitos da liminar e ainda vai julgar o mérito da questão.
Outra reunião está marcada para a manhã de hoje, na Catedral. Os pacientes integrantes da Associação dos Direitos pela Visão vão reunir-se com o chefe da 17 Regional de Saúde Adilson Castro.
Para o representante do grupo de portadores da doença, Luiz Martins, o encontro de hoje deve reunir cerca de 400 pacientes. Ele explicou que o Estado já havia entrado na fase final de compra dos medicamentos quando saiu a decisão da Justiça.
Medidas que podem melhorar, e muito, a vida de pacientes como José da Silva. Hoje, com apenas 5% da visão do olho esquerdo - a direita foi totalmente perdida - ele não sai de casa sozinho nem consegue assistir televisão. Mas a maior dificuldade é o orçamento apertado. A esposa dele, Lázara, 68 anos, tem problemas cardiácos e também deixa na farmácia grande parte da aposentadoria. ''Tem dia que não temos dinheiro nem para comprar uma verdura'', lamenta. ''O governo tem que se conscientizar que dar os colírios não é um favor, mas uma obrigação. Se não tomar cuidado, Londrina vai virar uma cidade dos cegos.''
Fonte: Fernando Rocha Faro/Folha de Londrina 24/05/2008