Os maiores vilões são os antibióticos e corticosteróides que reduzem a resistência predispondo à conjuntivite alérgica ou viral, catarata e glaucoma.
No inverno a baixa umidade do ar dobra a incidência da síndrome do olho seco que atinge 20% da população contra 10% no restante do ano. A menor produção da lágrima diminui a defesa dos olhos que ficam mais suscetíveis a contaminações de suas porções externas - córnea e conjuntiva. Somado a isso, a cefaléia, febre, tosse, dor de garganta, coriza e doenças respiratórias típicas dessa época do ano levam ao uso abusivo de antibióticos e corticosteróides, porque a maioria das pessoas não sabe distinguir reações alérgicas da gripe que é uma contaminação virótica e do resfriado que não chega a ser uma infecção. De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, o uso abusivo dessas medicações pode causar graves problemas à saúde dos olhos porque mascara doenças, além de tornar o organismo resistente a outros medicamentos. Por conta dessa resistência, Queiroz Neto afirma que o tratamento de conjuntivite viral que geralmente dura 15 dias chega a necessitar de três a quatro meses de acompanhamento médico.
Ele diz que o erro mais comum cometido por 3 em cada 10 pacientes é usar colírio antibiótico para tratar conjuntivite viral. Além do antibiótico não fazer efeito torna a pessoa resistente ao remédio e pode causar ceratite tóxica. O ideal, explica, é tratar a conjuntivite viral com compressas quentes já que os vírus se tornam mais resistentes em ambientes frios.Nos casos mais graves o tratamento é feito com lágrimas artificiais, colírios antiinflamatórios hormonais ou não hormonais. Não é só o uso tópico de antibióticos que cria barreiras para a ação dos princípios ativos de antibióticos, ressalta. Pessoas que tomam por muito tempo grandes quantidades de antibiótico, que no caso dos olhos é usado para combater a conjuntivite bacteriana, quando contraem uma infecção ocular tem complicações difíceis de serem tratadas.O problema comenta é que muitos pais não aceitam sair do consultório sem uma receita. Em geral as conjuntivites virais desaparecem em cinco dias como uma resposta natural do organismo que ganhou imunidade. Uma criança, ressalta, está com seu campo imune em formação e precisa ser exposta para ganhar resistência física.
Outra grave conseqüência do abuso de antibióticos e corticosteróides é alterar a defesa do organismo. Só para se ter uma idéia, as doenças alérgicas cresceram dez vezes entre as décadas de 70 e 90, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). É um problema de saúde pública em que o Brasil está entre os países com maior prevalência. O Estudo Multicêntrico Internacional de Asma e Alergias na Infância (ISAAC) demonstra que 20% da população brasileira é portadora da doença. Queiroz Neto afirma que seis em cada 10 alérgicos manifestam alergia nos olhos que se tornam mais suscetíveis a opacidades corneanas, ceratocone e catarata. A dica do médico é não coçar os olhos. Isso porque, quanto mais coçar maior será a formação de histamina, substância responsável pelos sintomas da alergia.
Ele explica que o tempo seco no inverno e a concentração de pólen na primavera aumentam em 25% a predisposição à conjuntivite alérgica primaveril. É o mais grave tipo de alergia ocular, adverte. O tratamento em estágio inicial pode ser feito com colírio estabilizador de mastócito, célula que se rompe no contato com os alergênicos e libera a histamina. Em estágio intermediário pode ser indicado colírio anti-histamínico. Só em última instância o tratamento é feito com corticosteróide e por tempo limitado. Isso porque, o uso tópico prolongado de corticosteróide pode causar glaucoma e catarata subcapsular posterior que difere da catarata senil por afetar a cápsula posterior do cristalino, invés de seu núcleo.
Como os corticosteróides orais ingeridos por longo tempo também causam estas doenças a recomendação médica é de cautela no uso. As alergias oculares também podem aparecer na forma mais branda de conjuntivite sazonal que em geral pode ser tratada com compressas geladas, desde que recomendadas por um oftalmologista.
Para fugir dos óculos, cerca de 2 milhões de brasileiros optam por lentes de contato. O problema é que um levantamento da SOBLEC (Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refrativa) aponta que a maioria dos usuários permanece por meses com lentes indicadas para 7 a 15 dias. Em qualquer época do ano, permanecer com lentes vencidas aumenta o risco de contaminação da córnea por fungos, bactérias e formação de depósitos. No inverno, com a redução do filme lacrimal o risco é ainda maior e faz com que 2 em cada 10 usuários contraiam conjuntivite papilar gigante. Os sintomas são: ardor, coceira, aversão à luz e redução da acuidade visual decorrentes da formação de bolinhas brancas chamadas papilas na conjuntiva. O tratamento exige interrupção do uso das lentes, aplicação de compressas geladas e colírio corticóide.
Além de evitar o uso abusivo de medicamentos, as dicas para prevenir alergias são:
Usuários de lentes de contato devem:
16/07/2007Fonte: LDC Comunicação
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