RIO - Alunos cegos que cursam o ensino médio em escolas públicas receberão livros em áudio e em braille e notebooks equipados com teclado em relevo para ajudar no aprendizado. A distribuição, feita pela Secretaria de Educação Especial (Seesp/MEC), faz parte do Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (Pnlem), que está beneficiando 784 alunos do ensino médio público portadores de deficiência visual. A primeira escola a receber o kit, que é composto por dois livros em áudio (biologia e português) e um em braille (matemática), foi o Centro de Ensino Médio do Setor Leste, em Brasília. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), até o fim de agosto a entrega já terá sido realizada em todo o Brasil.
Além dos livros, o programa também vai oferecer 774 notebooks, equipados com teclado em relevo e aplicativo DosVox, que permite que os alunos possam fazer o uso dos livros em áudio e também realizar pesquisas na internet. Segundo a Secretaria de Educação Especial do MEC, algumas escolas já possuem as chamadas salas multifuncionais equipadas com impressoras em braille, que permitem que o professor faça todo o material didático para os deficientes visuais.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, ressaltou a importância da educação inclusiva ao afirmar que ela não beneficia apenas aquele que é incluído, mas sobretudo os estudantes da escola pública brasileira.
Todos ganham com a educação inclusiva, a começar pelos alunos e professores que passam a contar com um elemento de diversidade na sala de aula, que pela própria presença já educa para a tolerância, a diferença, o respeito e para o desenvolvimento humano - disse.
Segundo ele, a possibilidade de ler o livro em braille e de ouvir o livro falado no computador, com o aplicativo de leitura para áudio, é algo que deve orgulhar o Brasil. Após a entrega de todos os equipamentos eletrônicos, a secretaria enviará para as escolas contempladas um termo de doação, que delega às escolas e às secretarias estaduais de Educação a responsabilidade pela manutenção e guarda dos computadores, que poderão ser deslocados para outras escolas, de acordo com o movimento futuro das matrículas de alunos cegos no ensino médio.
Para a coordenadora do núcleo de apoio pedagógico especializado de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Norma Curty, o recebimento do material didático e dos computadores portáteis é um grande passo no atendimento aos portadores de necessidades especiais. Segundo ela, no entanto, o ideal seria que os livros distribuídos pelo MEC fossem os mesmos já utilizados na escola, mas mesmo não sendo, garantiu que eles servirão como leitura de pesquisa não só para os alunos, mas para toda a comunidade.
- Esse é um grande passo. Espero que seja o primeiro de muitos e que, daqui para a frente, a gente possa ter uma adaptação para os deficientes visuais, do livro didático escolhido para toda a escola - afirmou.
Norma explicou ainda que todos os alunos com deficiência visual da Escola Duque de Caxias já têm o material didático utilizado por todos, impresso em braille. Segundo ela, há na escola uma pessoa responsável em transformar todo o material programado pela professora para o braille. Quanto aos notebooks que também serão distribuídos, a professora diz que vão facilitar em muito a vida dos alunos, já que poderão ser utilizados em sala de aula, permitindo que os alunos anotem toda a aula e possam imprimir em seguida para estudos posteriores.
O Núcleo de Caxias atende a 87 escolas do município, tendo como base a Escola Estadual Duque de Caxias. A professora Norma destaca que a escola já possui uma sala multimídia equipada para o atendimento dos deficientes visuais de toda a comunidade. Já há dois computadores equipados com DosVox, além de impressora de braille, reglete e pulsão - ferramentas utilizadas para escrita manual em braille. Segundo ela, só nesta escola estão matriculados 20 deficientes visuais - com baixa visão ou totalmente cegos, sendo 6 matriculados no ensino médio.
A expectativa do Ministério da Educação é que, em 2008, o número de matrículas de pessoas com deficiência no ensino regular supere o número de matrículas em estabelecimentos especiais. De acordo com o Censo Escolar 2006, houve um crescimento de 193% das matrículas em classes comuns, passando de 110.704 (24,6% do total de matriculados) em 2002, para 325.136 (46,4%), em 2006.
06/08/2007Fonte: O Globo
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