O GLAUCOMA E A SUA RELAÇÃO COM A PRESSÃO ARTERIAL

Evitar um enfarto é uma preocupação que deve acompanhar qualquer pessoa comum. Segundo Dr. Juarez Brito, existem múltiplos fatores considerados de riscos que interagem sinergicamente entre si, aumentando em progressão geométrica a probabilidade de desenvolvimento da doença coronariana. O que muitos não sabem é que estes fatores de risco também podem interagir no surgimento e na progressão do glaucoma. São eles:

  • Hipertensão Arterial;
  • Fumo;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Alcoolismo;
  • Stress.

Os hábitos que envolvem os cuidados com estes fatores devem acompanhar tanto quem é glaucomatoso, quanto quem é cardiopata ou quem tem predisposição para tais. E este fator não é apenas uma coincidência.

Um artigo científico da Universidade de Yale relata que:

“O sistema cardiovascular e os hábitos de vida e alimentares podem ter influência em certos grupos de pacientes com glaucoma. Baseando-se nesta breve revisão, mudanças simples e seguras no estilo de vida como exercícios aeróbicos, parar de fumar, limitar a ingestão de cafeína e beber vinho tinto podem ter resultados benéficos na prevenção da progressão do glaucoma. Outros conselhos incluem: diminuir a hipotensão arterial noturna, tratamento da enxaqueca e tratamento da apnéia do sono.” [1]

A literatura médica indica a pressão arterial como segundo principal fator de risco para o glaucoma, perdendo apenas para a pressão intra ocular. Os estudos indicam que a falha na autorregulação vascular contribui para stress oxidativo, levando a um aumento da susceptibilidade a aumentos da PIO em pacientes com glaucoma. [2]

“Uma pressão sangüínea elevada por tempo prolongado pode danificar os pequenos vasos sangüíneos que nutrem o nervo óptico, reduzindo a capacidade do nervo para resistir aos efeitos prejudiciais da pressão intra-ocular. Por outro lado, o fluxo sangüíneo insuficiente nos vasos maiores que vão do coração para a cabeça, as artérias carótidas, pode causar uma redução generalizada no fluxo sangüíneo para o olho, privando o nervo óptico dos nutrientes que ele precisa para ser saudável.” [3]

Através desta explicação retirada de um artigo do Wills Glaucoma (ver link no final), podemos entender melhor a relação do glaucoma com a pressão intra-ocular e portanto, com os hábitos relacionados a problemas cardiovasculares. Concluímos então que nós glaucomatosos não podemos nos dar o luxo de ter nosso olho submetido a altos nem a baixos níveis de pressão arterial.

Para entender melhor este fator, devemos saber o que a perfusão de pressão pode causar no olho glaucomatoso. A perfusão de pressão é a diferença entre a pressão de dentro do olho e a pressão sanguínea. A baixa pressão de perfusão ocorre quando a pressão no olho é alta, e a pressão arterial sistêmica é baixa.

“Quando a pressão de perfusão cai, não há fluxo de sangue suficiente chegando ao nervo óptico e na retina”, afirma o Dr. Varma. A falta de um adequado fluxo sanguíneo pode causar danos não somente ao nervo óptico, mas nos tecidos à sua volta.” [4]

Quando há uma pressão arterial alta, o fluxo sanguíneo aumentado faz com que o fluxo no interior do olho seja diminuído, limitando a drenagem dos fluídos internos do olho e propiciando o aumento da PIO.

Tendo em vista tais definições da relação entre a pressão arterial e a pressão intra-ocular, é demasiadamente importante a consciência de que os hábitos relacionados à saúde cardiovascular devem ser também praticados regularmente por quem procura ter uma saúde ocular, sobretudo por quem tem glaucoma ou tem predisposição a ter. Então, atividades que favoreçam tanto cardiopatas quanto glaucomatosos devem estar relacionadas a exercícios aeróbicos, dieta alimentar saudável, abolição ao sedentarismo e ao consumo exagerado de álcool e fumo. Tais hábitos estão melhor descritos no post Estilo de vida de quem convive com o glaucoma.

É importante salientar que cada caso é um caso, e sendo assim, devem ser levados em conta os fatores subjetivos. O que é propício para uma pessoa pode não ser propício para outra, podendo ser inclusive prejudicial. Então o importante é cada uma ter conhecimento geral sobre o seu glaucoma e a sua saúde em geral, para a partir daí, procurar os melhores hábitos que devem ser praticados com o acompanhamento de seu médico.

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Referências utilizadas:

http://www.angiocardiobahia.com.br

[1] [2] http://www.oftalmonews.com.br/indexa.php?pagina=inc/artigos&es1_cod=510

[3] http://willsglaucoma.org/cgi-script/csArticles/articles/000001/000113.htm

[4] http://www.sissaude.com.br/sissaude/inicial.php?case=2&idnot=1871

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